O Refúgio

De adolescente a adulta

Tuesday, September 12, 2006

Perdida...

Nunca se questionaram acerca do que sente uma pessoa quando esteve numa situação estranha, uma daquelas situações muito más que pensamos sempre que só acontecem nas novelas e aos outros? Eu nunca. O pior é quando vem da pessoa que menos esperamos, aquela que pensamos conhecer tão bem. Sempre achei que sabia o que faria se estivesse numa dessas situações. Mas agora estou e não sei o que fazer. Tenho medo e sinto-me mal comigo própria. Nem o facto de o carlos provavelmente gostar de mim e eu dele é capaz de me animar.
Muitas vezes atrás estive assim, numa maneira parecida com a que estou agora. Deprimida, com medo, como se estivesse num beco sem saída, sem ver a luz ao fundo do tunel. Mas eu obrigava-me sempre a pensar no lado positivo das coisas, quer fosse um novo amor, o facto de ter amigos que gostavam de mim, ou mesmo de que aquilo iria passar dentro de dias ou semanas. Agora, por mais que tente ver esse lado, vejo que não o há. Ou se há deve estar muito bem encoberto... E o pior é que isto só vai acabar se depender do facto de eu tomar uma atitude e eu não posso fazê-lo senão daqui a mais tempo. Muito mais tempo. E esta é uma tal situação que, só de pensar em tolerá-la mais tempo, fico transtornada e com muito medo.
Agora o meu novo ano lectivo vai começar, com novas pessoas. Espero esquecer isto e que não se volte a repetir nunca nunca mais. Só percebemos como é mau quando nos acontece a nós. E depois não conseguimos esquecer e estamos a toda a hora a pensar no que aconteceu, em todos os momentos, em todos os minutos e segundos. Queremos esquecer mas não dá. E depois pensamos que pode acontecer outra vez e isso destroi toda a nossa confiança. Perdemos a vontade de viver mas agarramo-nos ao fio de vida que nos resta e não nos deixamos ir abaixo. Mas aquilo continua lá, aquele bocadinho de óleo está sempre lá, no cimo do fio. E se nós nos enganamos e pomos as mãos à volta dele, escorregamos e voltamos à estaca zero. Não dá para tirar o óleo mas dá para passar ao lado dele. Mas demora tanto tempo até isso acontecer. O pior é quando está quase mas depois lá pomos a mão sem querer e começa tudo de novo...
Não era isto que queria para mim, mas desde quando é que temos aquilo que queremos para nós? Nós temos aquilo que nos está destinado, aquilo que nos dão. Podia ser pior, podia mesmo ser pior, eu sei que sim. Mas isso não chega porque não apaga o facto de essa situação ter acontecido.
Nunca deram por vocês a pensar que correu tudo mal? Que agora não sabem como vai ser, como vão aguentar? É assim que eu estou. Eu sei que tenho de aguentar. Por mim e pelas poucas pessoas que se importam comigo, mas a cada dia o meu medo cresce e vai ficando maior e consumindo-me e torna-se dificil para mim viver com isso. Detesto estas partidas da vida, as que nos marcam para sempre, as de que nos recordamos sempre. Mas acontecem e nada podemos fazer para as apagar. Por isso vou continuar a fazer cada dia como faço, com medo, sim, mas com esperança de esquecer e seguir em frente e conseguir assim subir de novo o fio que ainda me prende à vida e voltar a viver-la da maneira que a vivia antes de tudo acontecer.

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